Embora à primeira vista possam parecer sinônimos, é consenso entre especialistas em Educação as diferenças entre alfabetização e letramento, termo popularizado já nos anos 80 para caracterizar além do simples ato de unir letras, sílabas e palavras. Embora o simples conhecimento da leitura e da escrita seja indissociável no processo de alfabetização, que acontece em um determinado período de tempo, o letramento é algo que se acumula, seja por meio da leitura, do ensino formal, da capacitação por meio de cursos online, enfim, da aquisição de conhecimento e das conexões possibilitadas por ele ao longo da vida de uma pessoa.

Uma das principais características que diferenciam o ser humano dos demais animais é sua capacidade de abstração, algo essencial no processo de aprendizagem e alfabetização (estágio primário do letramento). Desde os tempos pré-históricos, das primeiras pinturas nas cavernas, passando pelas diferentes formas de expressão artística até a invenção da escrita, o homem tenta compreender o mundo. E é exatamente a essa capacidade de compreensão, de criar conexões entre o que está escrito e o mundo que o cerca, que se dá o nome de letramento. Logo, não há uma pessoa mais alfabetizada do que outra. Ou se é ou não é. Já o letramento é um conhecimento acumulado ao longo do tempo.

Alfabetização e letramento: curso e dados importantes

Enquanto no processo de alfabetização somamos letras, que formam sílabas, que formam palavras, que por sua vez formam orações, no letramento esse conjunto de signos se soma ao contexto social do indivíduo, a toda a sua carga de conhecimento, criando conexões e contribuindo para a tomada de decisões. Por exemplo: uma pessoa apenas alfabetizada conseguirá ler uma manchete de jornal relacionada ao aumento da inflação ou à queda da taxa Selic. Por sua vez, uma pessoa letrada conseguirá identificar em que medida essas manchetes influenciam sua vida, entenderá os principais termos técnicos utilizados nas matérias e, se quiser, agirá com vistas a se beneficiar ou impedir que seja ameaçada por tais indicadores. No entanto, a construção desse repertório leva tempo, não apenas vindo da leitura, mas também de conversas com amigos, parentes ou influenciadores, do cinema, da televisão, do rádio, da escola por meio dos professores, do Ensino a Distância (EAD), e de uma ampla prática social cumulativa.

Se na alfabetização a adaptação mental do signo impresso é meramente técnica e mecanizada, no letramento o processo é interpretativo, há um novo significado da mensagem a partir do próprio repertório do indivíduo somado ao seu contexto social.

No Educamundo, profissionais da Educação e demais interessados vêem no curso de Alfabetização e Letramento uma grande oportunidade de capacitação e aprimoramento das suas técnicas de ensino. 

Proporção entre alfabetizados e letrados

Não há dados oficiais no mundo sobre a relação entre alfabetizados e letrados, nem mesmo uma pesquisa padrão internacional que possa ser aplicada a vários países. Cada país possui seus próprios indicadores com suas próprias formas de medição. De acordo com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) - um conjunto de sistemas de avaliação do ensino brasileiro gerenciado pelo Ministério da Educação - quase 30% das crianças que chegam ao 5º ano apresentam rendimento inadequado em interpretação e compreensão de texto.

Já a Prova Brasil - outra avaliação também realizada pelo Ministério da Educação a cada dois anos em escolas públicas e privadas para medir o nível de conhecimento em português e matemática dos alunos brasileiros - revelou, em pesquisa feita em 2013, que 40% dos estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental não conseguem sequer identificar o assunto principal de um texto depois de lê-lo e 37% deles são incapazes de compreender a noção de porcentagem em uma questão de matemática. Ou seja, nem só em testes de Língua Portuguesa a compreensão do texto é exigida. Na verdade ela é a base para a compreensão de qualquer questão, em todas as disciplinas.

Em outro estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa feito em 2012 por meio de entrevistas com mais de duas mil pessoas em todo o país, foi constatado que apenas 8% da população em idade economicamente ativa (15 a 64 anos) são consideradas plenamente capazes de entender e se expressar por meio de letras e números. Isso mostra que apenas oito em cada cem pessoas são capazes de elaborar textos, argumentar por meio da escrita e opinar de forma coerente, dentro de um mínimo de ordem gramatical. São os chamados "proficientes", o estágio mais alto dentro do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf). Os demais (92%) são os chamados analfabetos funcionais: conseguem ler, mas compreendem muito pouco do que leram, além de terem sérias dificuldades em explicarem algo de forma textual. Na universidade a situação não é muito diferente. Este mesmo estudo mostrou ainda que quase 40% dos universitários do país têm alguma dificuldade com leitura, escrita e interpretação de textos. Isso sem falar na quase ausência de revisão gramatical. São poucos os estudantes que, após concluírem uma redação, a leem novamente em busca de erros, sobretudo no Ensino Médio. Aliás, uma dica para melhorar essa prática é o curso online de Comunicação Escrita e Revisão Gramatical do Educamundo.

Voltando às pesquisas, esses dados confirmam a (a princípio) sensível diferença entre alfabetizar e letrar, que de fato se mostra enorme quando se analisam os dados dessas pesquisas. Assim, compreender o texto e saber descrever as informações assimiladas por meio da escrita deixaram há muito tempo de ser um diferencial para se tornarem, de fato, uma questão de cidadania.

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Como alfabetizar a criança letrando ao mesmo tempo

O desafio é que os dois andem juntos. É possível letrar uma criança, por exemplo, muito antes de alfabetizá-la. O gosto pela leitura pode começar desde cedo por incentivo e exemplo dos pais quando trocam brinquedos por livros ou quando, antes de dormir, leem para os filhos ou mesmo quando dedicam um tempo em casa para a própria leitura. Assim, a criança também aprende pelo exemplo dos pais, ao observá-los lendo. No curso online Métodos e Processos de Alfabetização do Educamundo você terá conhecimento sobre concepções e metodologias que auxiliam na efetividade da leitura, na compreensão e escrita no processo de alfabetização, em especial da criança em fase pré-escolar. Já o curso online de Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, traz práticas pedagógicas que levam à uma reflexão sobre a língua, tanto na parte verbal como na escrita.

Quanto mais cedo se inicia o processo de letramento, menos dificuldade a criança terá em seu processo formal de alfabetização, uma vez que as letras já farão parte do seu cotidiano. Ainda mais quando falamos da Língua Portuguesa, com uma linguagem escrita tão rica e cheia de regras - sem falar na Reforma Ortográfica e na Nova Gramática Brasileira - que mesmo adultos têm dificuldades com a norma culta. Já na pré-infância os pais podem incentivas os filhos com livros de plástico ou borracha com desenhos e letras grandes, passando por gibis na infância, livros infanto-juvenis na pré-adolescência e best sellers na juventude. Com o tempo a própria pessoa buscará por clássicos da literatura, livros que viraram filmes, e mesmo por jornais e revistas, nem que seja por entretenimento. De novo o “aprender brincando”, só que na fase adulta. Você já se perguntou quantos livros seus filhos leem por ano? E você? Você tem costume de ler bulas de remédios? Manuais de instrução? Contratos? E aqueles termos de aceite na internet?

O problema é que muitos pais delegam a função do aprendizado exclusivamente à escola e se esquecem de suas responsabilidades educacionais. O ideal, portanto, é que haja a união entre pais e professores, que os pais participem mais das atividades escolares de seus filhos, sobretudo as que envolvam o aprendizado das letras, pois a sensação de prazer no momento do aprendizado é fundamental para que a criança tome gosto pela leitura. Se for um momento chato, de cobrança, sempre haverá essa associação da leitura a algo desprazeroso. O resultado será um adulto que fará de tudo para não ter que ler, que preferirá filmes dublados a legendados e que terá, por isso, dificuldades de se comunicar e compreender textos e contextos. Nesse caso, o professor se torna um agente facilitador no processo e o papel central da aprendizagem passa a ser dos pais.

Cabe ao professor, também, o papel de associar o momento da alfabetização ao letramento na fase inicial da Educação Infantil. Assim, o livro vira teatro, que vira desenho, que vira filme. Assim a criança passa a ter várias visões sobre um mesmo tema, criando as conexões e analisando as informações vindas de outros pontos de vista, inclusive o dela, formando assim seu repertório. Exercícios práticos nessa área são boas opções. De forma lúdica, é possível trabalhar letras e números na fase pré-escolar com músicas, teatros e brincadeiras, por exemplo. A criança aprende brincando, de forma natural. Mais que ler letras e formar palavras, ela aprende a ler e a entender o mundo que a cerca. Se você é educador e quer conhecer mais sobre metodologias de ensino relacionadas à Alfabetização Infantil, faça este curso online do Educamundo.

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Motivos para não aprender ou não gostar de ler e escrever

Nem sempre a culpa pela falta de letramento é dos pais, dos professores ou mesmo da criança. Isso porque alguns alunos possuem dificuldades inerentes a eles, como no caso de alguns transtornos mentais (dislexia, TDAH, autismo, entre outros) ou mesmo problemas físicos (miopia, astigmatismo, dificuldades na fala). Inclusive no Educamundo você encontra o curso online Alfabetização para Deficientes Visuais, que prepara profissionais da área e demais interessados no processo de alfabetização dessas pessoas. O conteúdo contempla aulas de Braile, adaptação de textos, diretrizes para o educador, atendimento especializado e outros conteúdos importantes, além de discutir temáticas sobre educação e alfabetização para pessoas com deficiência visual e a formação de professor para lidar com esse público.

Padrões de ensino rígidos demais ou permissivos demais na infância também podem afastar o jovem da leitura e da escrita. Padrões de ensino rígidos que não levam em conta o grau de aprendizado e as habilidades individuais de cada aluno e mesmo o sistema de ensino que visa passar o aluno mesmo que este não aprenda (progressão continuada) também podem ser prejudiciais.

Outras vezes o tipo de conteúdo abordado em sala de aula é desinteressante ou fora do contexto de vida do aluno. Se os colegas dele estão lendo Harry Potter, por exemplo, ele se sentirá desestimulado em ler O Pequeno Príncipe. Logo, ele deseja fazer parte do grupo, de se sentir inserido socialmente, de vivenciar o mesmo universo dos demais colegas. Ele se pergunta "o que eu ganho com isso?" Por isso é importante que pais e professores estejam atentos também ao universo ao qual o jovem está inserido, o que assiste na TV e no cinema, que tipo de música ouve e quais sites acessa na internet.

Sob a ótica do jovem, há um fosso entre a escrita formal e a língua falada, ainda mais no contexto atual, com a linguagem da internet onde predominam textos curtos, abreviações e o chamado "internetês". Depois de quebrar a barreira da leitura, inserir conteúdos considerados universais ficará mais fácil. No caso das crianças em fase pré-escolar e mesmo nos períodos iniciais, um boa dica é baixar aplicativos de jogos de alfabetização. Há boas opções tanto em português quanto em inglês, seja para Android, iPhone ou iPad. Basta uma rápida procura no Google Play (a loja do Google) ou no iTunes Store (a loja da Apple). Inclusive estudar uma segunda língua já nos estágios iniciais da escola pode ajudar a criança a desenvolver ainda mais o gosto pela leitura. As associações feitas entre a primeira e a segunda língua contribuirão para aumentar as sinapses cerebrais de associações entre dois signos diferentes, acelerando o letramento.

Como letrar ou mesmo alfabetizar os adultos

Embora a taxa de analfabetismo adulto no Brasil venha diminuindo em média 0,5% ao ano desde 2001, ainda haviam 8,7% de analfabetos acima dos 15 anos de idade no país em 2012, dado do último censo, segundo o Relatório Educação Para Todos no Brasil 2000-2015, (página 41). Para esse público há programas como o Educação de Jovens e Adultos, o EJA, e também cursos online como o Alfabetização de Jovens e Adultos, do Educamundo, que têm por objetivo a formação continuada de professores e profissionais da área da educação do público jovem e adulto em atraso na sua formação escolar.

Para o adulto já alfabetizado, o letramento se dá da mesma forma que no caso da criança, com a leitura e discussão de conteúdos de seu interesse, treinamentos, exercícios práticos tanto de escrita quanto de leitura e mesmo de fala. Quanto mais sentidos envolvidos, seja a fala, visão, audição e o tato, mais conexões serão criadas, ampliando assim a capacidade de interpretação. A humildade também deve ser companheira inseparável de quem deseja se letrar, afinal, ninguém sabe a pronúncia, escrita ou significado de todas as palavras. Além do mais, a língua é viva e está sempre em evolução. Novos termos, gírias e expressões são criadas ou reinterpretadas a todo instante. Uma boa amiga da humildade é a curiosidade. Quem não sabe e deseja saber mais, está no caminho certo para se tornar uma pessoa cada vez mais letrada.

Os certificados do Educamundo podem ser usados para:


Prova de Títulos em Concursos Públicos

Horas complementares para faculdades

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A alfabetização, nos moldes em que é praticada atualmente, representa apenas a base. Tem um início e um fim. Já no letramento, letras formam mais que palavras, geram informações que, contextualizadas, levam ao conhecimento, a única coisa que não perdemos e ninguém tira de nós. O letramento é constante e envolve, inclusive, escrever sobre algo que você não sabia antes, por exemplo.

Quer saber mais sobre alfabetização e letramento? Destinado a educadores e demais interessados, o curso de Alfabetização e Letramento do Educamundo visa que seus participantes estimulem a prática da leitura e escrita de seus alunos de forma completa (ler, compreender e escrever). Com um vasto material didático-pedagógico e conteúdos que motivam o docente a adquirir novos conhecimentos para transmitir aos seus alunos, numa relação recíproca de ensinar e aprender.

Agora que você sabe diferenciar alfabetização e letramento, que tal fazer um dos cursos do Educamundo sobre esse assunto e aprofundar ainda mais seus conhecimentos? Ainda tem dúvidas? Então é só deixar suas impressões nos comentários. 

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